Imagem capa - Queria ser uma Mosquinha- Uma Quarentena pra Contar por Mariana Jordão Fotografia
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Queria ser uma Mosquinha- Uma Quarentena pra Contar

"Vem aqui em casa, fazer um Queria ser uma Mosquinha agora", escreveu a Lu, na mensagem pelo Whatsapp


A vida vinha bem bacana. O plano de sair do meu emprego fixo, pra  poder fazer o que mais amo, estava ao alcance de um clique no computador. Eu e Paulo com a agenda de fotografia prometendo ser incrível, porque tínhamos entrado 2020 trabalhando a todo vapor.  A Lu tinha conseguido matricular Eduardo na escola, as aulas da Helena já tinham começado e ela poderia seguir com mais calma e mais tempo, pro seu Emanuel, de 4 meses. Magson já tinha comprado as passagens pras férias em Maceió. Mari e João, nos preparativos pra primeira viagem pra terras gringas, com João Gabriel. O ano mal havia começado, o carnaval mal havia acabado, os planners iriam começar a funcionar pra valer. 


De repente, a vida deu uma reviravolta. Dormimos e acordamos dentro de um filme de ficção científica. Na verdade, não vimos que o planeta Terra já havia sido invadido pelo vilão Coronavírus. Dormíamos, achando que ele não saberia voar tão rápido e atravessar do oriente ao ocidente, numa velocidade alucinante. De repente, quando paramos pra prestar atenção, ele já estava espalhando suas maldades pelo nosso planeta. Nossos heróis precisaram convocar uma reunião de emergência, porque era urgente bolar um plano para capturar este vilão. Pra que todos os habitantes ficassem bem protegidos, enquanto este plano não saía do papel: "atenção senhores moradores da Terra, nosso planeta foi invadido. Nossos heróis já estão reunidos pra traçar o plano que vai colocar o vilão Coronavírus pra bem longe de nós. Mas eles mandaram um recado: por favor, fiquem em casa. Fechem as escolas, fechem os comércios, fechem os escritórios, fechem os aeroportos, fechem as agendas, adiem os sonhos. Ressignifiquem suas vidas, seus relacionamentos, suas casas, seus trabalhos, o alimento da sua mesa e o sol que brilha no céu. Ressignifiquem o que tem valor. Ressignifiquem o tempo, porque tempo não é dinheiro. Suspendam tudo e fiquem em casa". 


A mensagem da Lu chegou no meio de uma tarde, do dia em que Eduardo já tinha comido metade de um pote de açúcar, depois de derrubar o mosquiteiro dentro do berço e amanhecer todo enrolado naquele tecido piniquento. No meio do dia em que eu já vinha pensando em quanta coisa estaria acontecendo em cada casa, além da minha, neste intensivão de convivência, subitamente forçada. No meio do dia em que eu acompanhei o Paulo, atendendo ligações, uma atrás da outra, porque ele e os colegas de trabalho do setor de TI precisavam colocar uma estrutura pra atender os muitos funcionários que passariam a trabalhar em home office nas suas casas (e nesta tarde, olhando pra isso, acabei descobrindo o porquê de muitas vezes, ele entrar no carro em silêncio, depois de um dia de trabalho, enquanto eu quero falar sem parar...). 


Não podia ir lá na casa dela, embora quisesse muito ir, na dela e na casa de um dos que já fotografei nesta vida, só pra saber como estava sendo este intensivão e como seria a história, desta quarentena, pra contar. 


A única forma de chegar lá, seria cada um sendo os meus olhos e o meu coração em suas casas, nestes dias, num trabalho conjunto. Decidi espalhar poesia, nesse dia a dia da vida caótico. Enquanto o vilão espalha maldades, decidi espalhar vida. Vida e poesia. Decidi espalhar vida, poesia e amor, numa medida proporcional à distância que passou a separar a gente. Disso nasceu Queria ser uma Mosquinha, edição Uma Quarentena pra Contar. 


A série de vídeos, da ideia deste trabalho conjunto, deixei no meu IGTV: limpe suas lentes, apareça, uma regra e haja luz. Assite. E se quiser participar da Missão Mosquinha, quero te dizer que você ainda pode ser luz na vida de alguém que precisa; uma parte do valor arrecadado com este projeto, será revertido em itens para cesta básica, e entregues à comunidade que frequento, Sara Nossa Terra, para ajudar famílias menos favorecidas já cadastradas ou que ainda serão cadastradas no trabalho de assistência social e que estão precisando das nossas sementes de amor neste momento. 


Porque a lei da semeadura vale pra absolutamente tudo nesta vida, escolho selecionar as melhores sementes: poesia, vida e amor. Tenho certeza de colheitas abundantes sobre nós!