Imagem capa - Minhas férias por Mariana Jordão Fotografia
Pensamentos soltos

Minhas férias

Quem  nunca voltou das férias e, no primeiro dia de aula, teve como tarefa uma redação com o título "Minhas Férias", levanta a mão... (antes de você pensar que vai ler minha redação, não é isso não; quero te contar sobre uma tal de amnésia infantil, já ouviu falar?)  


Recentemente, decidi parar por dez dias, para receber um evento aqui em casa, dez dias tarjados de vermelho na agenda "proibido trabalhar", dez dias feitos pra curtir a vinda do meu irmão e do meu sobrinho, aqui para Campo Grande. O evento do ano!


Não fotografar seria impossível... como resistir?! Queria guardar cada segundo num potinho.





Dez dias em que minha recepção foi assim: dois olhinhos, na pontinha dos pés, "a tia Ma". Ô coisa preciosa!


Cinco e meia da manhã, Henrique já estava no berço esperando alguém que pudesse libertá-lo daquele minipresídio, pra poder ganhar o mundo. E lá ia ele.  


No estilo Toy Story 3, os brinquedos que foram do meu irmão (e que, cuidadosamente, meus pais guardaram, esperando seu primeiro netinho chegar) ganharam vida, numa nova temporada de aventuras. Ganharam vida, perderam algumas rodinhas e portinhas; foram repaginados nas mãos do pequeno.




Dez dias de visitas ao parquinho da Praça do Peixe, dez dias de sonequinhas no meio da tarde sem hora para acordar, dez dias de aventuras pela cidade à procura de cafés, nos quais duas coisas fossem possíveis: encontrarmos um lugar para sentar e, segundo (e mais importante), que o Henrique também topasse ficar sentado. Dez dias em que o Ateliê da Vovó Helô recebeu essa visitinha ilustre e teve algumas de suas criações arrastadas grama afora.










Dias que passaram numa velocidade alucinante, e a gente querendo que tudo durasse uma eternidade...








Banho, no fim do dia, era uma verdadeira operação: um lavava, outro enxugava, outro cantava, outro penteava, outro pingava remédio, outro escovava dentes... Ufa! Vovó apagava a luz, contava uma história e, 5:30, começava tudo outra vez.








Quando dava, eu pegava minha câmera, porque para nós, tudo será inesquecível (aliás, já faz um mês que eles voltaram para casa, mas vira-e-mexe nos pegamos lembrando de alguma história desse figurinha por aqui). Só tem um porém: para ele, tudo isso não será tão inesquecível assim. 


Eu, uma curiosa de primeira, leitora de Superinteressante, descobri essa tal amnésia infantil, de que te falei no começo dessa conversa. A dona culpada por não permitir que se consolidem memórias duradouras na cabecinha de uma criança, durante os primeiros anos de vida. "O hipocampo, principal sede da memória, só se desenvolve completamente aos 7 anos de idade", segundo Fabiano de Moraes, neurologista da UNIFESP, em entrevista à essa revista. Navegando pelo Face da Super, alguns dias antes da chegada deles por aqui, me deparei com esse pequeno texto, na sessão Oráculo. E pimba! Tudo explicado. De fato, há tantas coisas sobre a minha primeira infância que eu adoraria me lembrar, mas essa danada dessa amnésia me levou embora dos pensamentos... 








Então, tratei de registrar, tratei de guardar, tratamos de imprimir e de mandar na mochilinha dele, as memórias para as quais, um dia, ele poderá olhar e saber que tivemos férias inesquecivelmente deliciosas por aqui....  Ele poderá até não se lembrar, mas olhando as fotos, vai saber que foram dias especiais para nós. 






"Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo,

mas com tamanha intensidade que se petrifica..." 

(Carlos Drummond de Andrade)




Fonte: Por que não temos memória de quando éramos bebezinhos? Revista Superinteressante, 14 de junho de 2017