Eu gosto quando a fotografia tem a cara de quem está nela. E esse foi um assunto no meu Insta nesta semana.
Um ensaio precisa ser você. Não porque está na moda, porque determinada estética está em alta no Pinterest, mas porque conversa com quem você é, com o que você gosta.
Gosto de uma fotografia bonita, mas que tenha a cara de quem está nela. Não uma fotografia bonita, apesar da pessoa. Nem uma fotografia bonita que transformou aquela pessoa em quem ela não é. Gosto de uma fotografia bonita, porque o fotógrafo encontrou beleza no que já existe.
Pra mim, isso é beleza sem personagem. Só que isso não significa fotografar de qualquer jeito, ou abandonar a direção. Não, não. Eu dirijo, faço pequenos ajustes, falo como mover o corpo, pra onde o cliente deve olhar, o que fazer com as mãos, enfim. Mas dirigir, pra mim, não é controlar. Eu posso conduzir uma pessoa, sem fabricar uma versão dela, posso criar uma fotografia pensada, sem que ela pareça artificial, entende? Eu funciono mais ou menos assim: dirijo quando é preciso e deixo acontecer quando é melhor. É nessa mistura que minha fotografia acontece.
Não acredito que exista um jeito certo de conduzir um ensaio. A gente aprende sim as regras. Estudei e sigo estudando fotografia, sei o que funciona e o que não funciona dentro de composição, luz, enquadramento. E conhecer essas regras só me ajuda a saber quando posso e devo quebrá-las, pra produzir algo que imaginei. Uma fotografia pode ter movimento borrado sim, se eu quiser que ela seja assim. Pode ter um enquadramento inesperado sim. Pode ter um tênis onde alguém esperaria um salto. Pode ter personalidade onde alguém esperaria uma fórmula. Vai continuar sendo uma fotografia bem feita, para além das convenções e das regras.
O que quero te dizer é que eu não quero que a fotografia seja maior que a pessoa que fotografei. Quero que seja dela, sobre ela, sobre quem ela é nessa fase. Se é intensa, vou pensar na luz e em todas as informações que transmitam isso através da direção. Se é mais calma, ou mais leve, existem muitas formas de comunicar isso na fotografia também. Porque só assim essa pessoa vai se reconhecer naquela imagem feita, agora ou daqui 10 anos. Mesmo com a moda, ou o cabelo, ou o corpo, ou a vida mudando, aquela fotografia vai permanecer porque vai existir um encontro de duas versões da mesma pessoa: a que está olhando hoje e a que foi fotografada naquele momento.
Por isso que foto bonita por foto bonita não serve pra mim. Eu quero mais! Quero que, um dia, você olhe para uma delas e diga "Eu me reconheço aqui."
Sem personagem.